Maré de março causa estragos e prejuízos a empresários em Conceição da Barra

Donos de Pousadas, hotéis e barracas na orla de Conceição da Barra, sentido Guaxindiba, contabilizam prejuízos provocados pelo avanço da maré. Ondas fortes de até três metros de altura já derrubaram muros, áreas de lazer e gourmet e colocam os proprietários dos imóveis em alerta,  As marés do mês de março são consideradas as mais  violentas. “A solução é pedirmos um pouco de atenção das nossas autoridades, para esse problema que está acima da nossa capacidade de solucioná-lo”, disseram. Moradores da Bugia viveram esse mesmo pesadelo, décadas atrás.

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As fortes ondas do mês de março estão destruindo imóveis na orla da praia 

As toneladas de pedras e sacos de areia colocados para amenizar o impacto das marés não estão sendo suficientes para evitar a destruição parcial de pousadas, hotéis, restaurantes e casas de veraneio localizados na orla da praia, sentido bairro Guaxindiba, em Conceição da Barra. Entre os dias 9 e 10 de março deste ano (2020), com a presença da super lua, as fortes ondas derrubaram muros, paredes, áreas de lazer e churrasqueiras. Além do prejuízo imediato, a invasão das ondas podem comprometer a estrutura de muitos imóveis, se nenhuma medida for tomada, a partir de agora.

Os fundos do clube recreativo Tobo Barra, além das pousadas Mirante, Varanda da Praia e o bar Guaximar, recém reinaugurado, foram os mais atingidos. Um imóvel de dois pavimentos ao lado onde funcionava um depósito de materiais recicláveis, já teve todo o muro destruído e a maré já se aproxima dos pilares da casa. Há alguns anos, o local foi invadido por famílias, que correm sério risco, se não forem retiradas da área.

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Prejuízos em torno de R$ 180 mil para amenizar os impactos das ondas na Pousada 

 

A analista de Judiciário Especial do Fórum de Conceição da Barra,  empresária Rosângela Barreira Vasconcelos, mais uma vez viu o seu empreendimento ser parcialmente destruído, poucos dias após a reinauguração do Bar Guaximar. Há 22 anos à frente do seu empreendimento, ela teme pelo que possa acontecer daqui pra frente.

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Rosângela Barreira – “É um sentimento de impotência  assistir a destruição dos nossos sonhos”

E o temor da empresária justifica pela recorrência dos danos causados pelas ondas do mar. A exemplo disso, final de 2018 as ondas destruíram  paredes e telhados do bar e interrompeu a perspectiva de faturamento naquele período. Porém, final de 2019 a empresária retomou as reformas e no começo de 2020 reinaugurou o espaço, dentro de um projeto paisagístico rústico, com motivos praianos e com uma vista privilegiada para o mar.

No entanto, as fortes marés de março destruíram parcialmente o local, principalmente entre os dias nove e dez, período da super lua. “É um sentimento de impotência muito grande a gente assistir a destruição dos nossos sonhos, daquilo que construímos e acreditamos”, disse.

Segundo ela, com as reformas do bar desde o ano passado e agora com mais essa antes da reinauguração, os prejuízos chegam na ordem de R$ 150 mil. “Mas não vamos desistir. Estamos sobrevivendo com fé, esperança e a participação dos nossos amigos e colaboradores. Tudo o que estiver ao nosso alcance, vamos fazer. Já estamos providenciando a reconstituição do local danificado, vamos colocar mais pedras, sacos de areia e seguir em frente. Não vamos nos entregar, porque estamos amparados com a nossa fé em Deus, sabendo que tudo está nas mãos Dele”, disse a empresária.

Quem também está contabilizando prejuízos é o proprietário da Pousada Varanda da Praia, Moacir Carvalho. Há nove anos à frente da pousada, essa já é a quinta vez que ele precisa reconstruir barreiras de contenção com toneladas de pedras e sacos de areia. Um prejuízo que chega aos R$ 180 mil.

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Moacir Carvalho – “Não tem outro caminho. Enquanto tivermos forças, vamos continuar enfrentando esses problemas”

A maré de março já arrancou o muro, churrasqueira e avança em direção à piscina. Para barrar os estragos, o empresário mandou colocar toneladas de pedras e sacos de areia. Segundo ele, cada caçamba de pedra custa R$ 1.500,00. E serão necessárias dezenas de caçambas.

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“Não tem outro caminho. Enquanto tivermos forças, vamos continuar enfrentando esses problemas.  E mesmo sabendo que não é uma obra diretamente de responsabilidade municipal, mesmo assim esperamos que intercedam por nós, para que os órgãos estadual e federal olhem para esse problema que estamos enfrentando”, disse.

Um drama recorrente que já foi enfrentado pelos moradores do bairro Bugia

 

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Foto Arquivo PMCB – Diversos imóveis destruídos  na área da Bugia, há mais de dez anos

O que os moradores na orla da praia da Guaxindiba vêm enfrentando atualmente, foi o grande pesadelo de centenas de moradores e empresários das áreas centrais de Conceição da Barra e em particular no bairro da Bugia. Há décadas que a cidade já vinha sofrendo com o avanço do mar, mas a situação se agravou no final da década de 1990 e princípio da década de 2000, quando as fortes ondas começaram a invadir e destruir casas, peixarias, bares, restaurantes, hotéis e pousadas.

Em consequência dessa destruição, muitos moradores e empresários foram embora da cidade. Até o anúncio de um possível tsunami aterrorizou a população, para mais tarde se transformar em peça de teatro e conto, pelo poeta e diretor teatral Salomão Silva Pinto.

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Com as obras de recuperação, a Bugia ganhou um novo visual e se tornou atração turística

Causos à parte, o fato é que toda essa destruição da orla de Conceição da Barra alterou a autoestima dos moradores e classe empresarial. A cidade, conhecida nacionalmente por organizar um dos melhores carnavais do Brasil, se viu afundada em um clima de incertezas e  prejuízos. A alegria deu lugar à tristeza. “A cidade parecia um campo de guerra, tudo destruído e feio”, dizem os mais antigos moradores.

As obras de recuperação da orla e do bairro Bugia foram anunciadas pelo governo do Estado já no final da administração do ex- prefeito, Manoel Pereira da Fonseca, em 2008. Porém, os trabalhos foram concluídos durante a gestão do então prefeito Jorge Donati, que faleceu no dia 3 de novembro, faltando pouco menos de dois meses para terminar o seu mandato, no dia 31 de dezembro de 2016.

Na época, o valor da obra custou aos cofres estaduais algo em torno de R$ 50 mi. Foram construídos espigões e promontórios para diminuir o impacto das ondas, além da recuperação da orla e a construção de um calçadão com cinco quilômetros de extensão, utilizado para caminhadas, pedaladas, além de academias ao ar livre.

Maré de março

Conhecida pelos estudiosos como maré equinocial,  termo dado quando existe uma conjunção do sol e da lua nas proximidades do plano do Equador. Quanto mais alinhados os dois astros estiverem, maior é a força gravitacional que define a potência da maré. Mas existem outros itens que intensificam os efeitos da maré de março. Dentre eles está a morfologia das praias, ou seja, o tipo físico do local, como explica a geóloga Karla Medeiros.

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Praias mais inclinadas, tendem a receber ondas mais fortes, graças à pouca extensão. Nessas localidades, as ondas acabam colidindo com qualquer obstáculo físico e ficam sem espaço para dissipar sua energia.

Karla realizou um estudo onde analisou os estragos das marés associados com outros fenômenos. “A maré de março nada mais é do que a falta de sorte de vários fatores atuarem de maneira conjunta”, diz, ao assinalar que o fenômeno acontece devido à junção da maré de lua nova e cheia, que são as mais elevadas no mês, com as marés equinociais, que acontecem em março e setembro.

Fonte: Matéria parcialmente extraída do jornalista Eder Luís Santana  – Site A Tarde, de Salvador (BA).

 

 

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