No Dia Mundial da Árvore, ONG de Conceição da Barra promove plantio de dezenas de mudas, em sítio da região

Por: Fernando César Fortunato Costa

Agricultor beneficiado com a ação, Sidilei de Abreu Pereira quer incentivar o sistema agrofloresta na comunidade Porto Grande, para produzir alimentos orgânicos. Ele fala dos prejuízos que a monocultura do eucalipto trouxe para a região, principalmente com a bacia hidrográfica (rios, córregos, lagoas, lagos e o lençol freático) que, segundo ele, vem desaparecendo a cada ano. Lamenta ainda que as comunidades quilombolas do Sapê do Norte sempre foram as mais prejudicadas e ao longo de décadas sofreram perseguições, prisões e acusações de furto de madeira de eucalipto, depois que empresas de celulose transformaram a região em um mar verde, com a monocultura do eucalipto. Muitas famílias resistiram, mas tantas outras perderam suas casas, suas tradições e identidades. A retomada das terras é uma resposta que as comunidades estão dando, mas pedem apoio dos governos em todas as esferas.

Dezenas de voluntários, entre jovens, adultos e crianças participaram do plantio de mudas

O Dia Mundial da Árvore, comemorado no dia 21 de setembro, não passou em branco, em Conceição da Barra. Muito pelo contrário: teve muito verde, a cor predominante, que traz alívio em tempos de destruição ambiental com as queimadas na Amazônia e em Mato Grosso do Sul (Pantanal). Tudo isso, graças a ação da ONG Ajudar Faz Bem , que promoveu plantio de dezenas de mudas de várias espécies, no sítio Ponto de Equilíbrio, do agricultor Sidilei de Abreu Pereira, na Comunidade Porto Grande.

Essa iniciativa é apenas uma das tantas outras ações que a ONG realiza em Conceição da Barra. Além das questões ambientais, com plantio e trabalhos de conscientização, a Organização promove ainda campanhas para doação de medula óssea, sangue, além de atuar junto à Pastoral da Criança, do Idoso e outras ações.

José Turíbio – Presidente da ONG Ajudar Faz Bem, em Conceição da Barra

O presidente da ONG em Conceição da Barra, José Turíbio fala da importância dessas ações e da necessidade de mais parcerias para atuarem em frentes que carecem da participação de mais Voluntários do Bem. “Esse é um projeto muito importante e que nos proporciona momentos de doação voluntária. Por isso, precisamos de parcerias para que possamos atuar nas áreas ambientais e sociais, tão carentes ultimamente”, enfatizou. Interessados podem entrar em contato com ele, através do telefone (27) 9959.7668. São sempre bem-vindos.

Projeto Agroflorestal

O proprietário do sítio Ponto de Equilíbrio, Sidilei de Abreu, onde foi realizado o plantio de dezenas de mudas de árvores, já vem trabalhando na recuperação ambiental da sua área há muitos anos. Mas o que ele quer, vai muito além da cerca da sua propriedade. Sidilei pretende implantar o sistema de agrofloresta em toda a área da Comunidade Porto Grande.

Esse sistema permite produzir alimentos orgânicos, usando substratos e folhagens decompostas, que ajudam a umedecer a terra em áreas que não possuem água. Essa produção agroflorestal, onde o produtor pode trabalhar em regime de consórcio entre as diversas espécies, ele pretende junto aos demais produtores, transformar em Agricultura Familiar, com apoio de órgãos municipal e estadual.

Sidilei lembra que décadas atrás, antes da implantação da monocultura do eucalipto, toda a região do sapê do norte, que pertencia à comunidades quilombolas, tinha uma bacia hidrográfica abundante, com rios, córregos, lagoas, lagos e o lençol freático.

José Turíbio mais Sidilei de Abreu, em seu sítio, durante plantação das mudas

“Com a chegada de empresas de celulose e a monocultura do eucalipto, a nossa mata atlântica foi sendo derrubada aos olhos das autoridades. O solo, antes rico em nutrientes, deu lugar ao uso de agrotóxico, até então desconhecido pela maioria. Para piorar, as comunidades quilombolas que eram as verdadeiras donas das terras, foram acusadas de invasão de uma terra que era dos seus ancestrais, durante o período de escravidão no país. Muitas prisões arbitrárias de lideranças quilombolas, senhoras e velhos aconteceram aqui, sob acusação de invasão de terras ou furtos de madeiras. Em consequência disso, muitos quilombolas perderam suas terras, suas tradições e suas identidades”, lamentou.

De acordo com o pequeno produtor, a monocultura do eucalipto ocupa em torno de 70% do município de Conceição da Barra. “Isso é um absurdo! Já passou da hora de as nossas autoridades reverem isso e tomar uma providência, para transformarmos a nossa região em área de produção dentro do sistema agroflorestal, para recuperarmos o que essas empresas fizeram com a nossa terra. Estamos lutando, sim, pela retomada do que sempre pertenceu aos nossos antepassados, que sofreram durante anos, escravizados aqui”, desabafou.

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